"...é concebível que acabemos descobrindo mais e não menos mulheres autistas, assim que examinarmos melhor; talvez a célebre vantagem feminina na linguagem e inteligência social proteja algumas mulheres, nascidas com a herança genética do autismo, excluindo-as da categoria diagnosticável de "autismo de alto funcionamento" e incluindo-as na forma disfarçada e não manifesta do distúrbio.(...)" (John J. Ratey e Catherine Johnson, no livro "Síndromes Silenciosas", p.235 Ed. Objetiva)
"A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana dos quais só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois". (Arthur da Távola)

Seguidores

quarta-feira, 13 de março de 2013

Vida Nova!!

Aceitação.

Depois do trauma da última tentativa de emprego, eu reciclei meus pensamentos e consegui me aceitar!

Aos 41 anos, e recomeçando!

Vida nova!

Sem expectativas e ilusões, consequentemente livre de frustrações e desilusões.

Parafraseando "Zagalo" eu disse a mim mesma: "Vou ter que me engolir!" rsrsrsrsr

E tudo ficou mais leve.

É claro que o estigma de " pessoa de gênio difícil " às vezes  me assombra, mas não me derruba.

Sigo em frente com minha fé "concreta" buscando a leveza do "abstrato".

Abraço azul e fraterno!!!

Grace Caroline.

sábado, 30 de junho de 2012

Quase um ano depois

Agosto de 2010 foi a última vez que escrevi.

Mas não foi por falta de tentativa.

Várias vezes tentei e falhei.

Hoje consegui, então preciso dizer que mudei de cidade, hoje moro em Blumenau-SC.

Meu mundo continua o mesmo: filhos, marido, casa, tratamento psiquiátrico para depressão e rotina.

E a solidão que me persegue, continuo me sentindo exausta e sozinha.

Arrumei um emprego numa confecção têxtil (malharia), e a experiência durou 30 dias, fui reprovada por não estar dentro do perfil da vaga, era serviço braçal e segundo me disseram: eu sou um SER PENSANTE, tenho formação superior, faço alimentação leve e não tenho disponibilidade física para o tal serviço, sou muito alta e o equipamento de trabalho se tornou inadequado, mesas e balcões muito baixos e como eu trabalhava em pé as 9 horas isto prejudicava minha coluna, enfim eu não servia para a vaga.

Como eu não tenho disponibilidade para horário integral, por causa da minha filha Anna, preciso esperar por outra oportunidade no período vespertino.

Frustração e ansiedade, uma mistura destes sentimentos tomou conta da minha cabeça.


Apesar de eu entender e racionalmente assimilar o que aconteceu, fico muito chateada, pois era um lugar onde eu podia interagir sem muito contato social, era só um trabalho braçal e o esforço era somente físico e isso me dava uma trégua mental.


Não deu certo e eu não me conformo.

Já faz uma semana que eu sai do emprego, e continuo um "lixo".

Enviei meu currículo para outras empresas, mas agora para para trabalhos que vão me exigir socialmente, então eu fico torcendo para não me chamarem e ao mesmo tempo não suporto mais o isolamento que minha vida se tornou.

Esta é a minha situação atual. Me sinto igual ao personagem do filme "Forest Gump", sentada num banco qualquer, por qualquer tempo, esperando sei lá o que...

Até a próxima.
Grace Caroline.




terça-feira, 30 de agosto de 2011

Perspectivas...

Olá!

Outro longo e tenebroso inverno se vai.

Ainda não consigo colocar todos os inexoráveis acontecimentos da minha vida em perspectivas...

Não sei dar aos fatos seus tamanhos reais.

Mas como diz o autor de "O caçador de pipas" Khaled Hosseini:

" Perspectivas são um luxo quando se tem um enxame de demônios zumbindo constantemente na cabeça."


Aos poucos vou exorcizando meus demônios e revisitando sensações de paz, e posso afirmar que meu tratamento psiquiátrico tem sido de grande ajuda.

Estamos avaliando a minha porção física que anda doente, em breve poderei dividir mais esta etapa.

Abraço fraterno.
Grace Caroline.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Exaustão íntima

Olá!

Muitas tentativas frustradas na busca do mínimo de equilíbrio, e a cabeça não para...

A mente não dá uma trégua, um momento de paz sequer...

"Em muitas ocasiões, elaboramos interpretações exageradas de suscetibilidade e caímos em impulsos estranhos e desequilibrados, que causam em nossa energia mental uma sobrecarga, fazendo com que o cansaço tome conta do cérebro. A exaustão íntima é profunda." 
(Hammed - Francisco do Espírito Santo Neto)
O cansaço físico e mental é realmente muito grande, um "diálogo mental", uma luta interna, um confronto sem fim se faz em mim.

Penso em parar tudo, mas sei que ainda tenho  que tentar.

Após todo meu esforço para seguir meu tratamento psiquiátrico, depois de todo o dever cumprido, me resta rezar e acreditar...

 Meu Deus, me dê a coragem 
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, 
todos vazios de Tua presença. 
Me dê a coragem de considerar esse vazio 
como uma plenitude. 
Faça com que eu seja a Tua amante humilde, 
entrelaçada a Ti em êxtase. 
Faça com que eu possa falar 
com este vazio tremendo 
e receber como resposta 
o amor materno que nutre e embala. 
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, 
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. 
Faça com que a solidão não me destrua. 
Faça com que minha solidão me sirva de companhia. 
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. 
Faça com que eu saiba ficar com o nada 
e mesmo assim me sentir 
como se estivesse plena de tudo. 
Receba em teus braços 
o meu pecado de pensar. 
(Clarice Lispector)

Abraço fraterno.
Grace Caroline.

Autismo de alto funcionamento:

"Eu gostaria de acentuar que chamar este transtorno de autismo de alto funcionamento, é inadequado porque o termo sugere que o autismo é de alto funcionamento, que o autismo é leve, quando na verdade o que você está querendo é denominar uma pessoa de alto funcionamento com autismo.

Então, essa pessoa pode ter um bom QI ou uma boa compreensão verbal ou uma boa expressão verbal, mas seu autismo é normalmente tão grave quanto o de uma pessoa descrita com autismo de baixo funcionamento.

Então, por favor: usem alto funcionamento para a pessoa, não para o autismo, de maneira a permitir uma compreensão mais profunda de quão grave o autismo pode ser, mesmo para alguém com Síndrome de Asperger..."

(Dr. Christopher Gillberg, em out/2005 no auditório do InCor em SP)

Dr. Simon Baron-Cohen, diz no seu livro "Diferença essencial: a verdade sobre o cérebro de homens e mulheres.":

"...Dirijo uma clínica em Cambridge para adultos com suspeita de serem portadores da síndome de Asperger. Esses indivíduos não tiveram os problemas detectados na família nem na escola enquanto ainda eram crianças.

Assim, atravessaram a infância e a adolescência aos trancos e barrancos, e chegaram à idade adulta acumulando dificuldades, até serem encaminhados à nossa clínica, desesperados pela falta de integração, por se sentirem diferentes.

Na maioria dos casos, esses paciente sofrem também de depressão clínica, já que não encontram um ambiente, em termos de trabalho e de companheiro(a), que os aceite em sua diferença. Querem ser eles mesmos, mas são forçados a "vestir" um personagem, tentando desesperadamente não ofender, dizendo ou fazendo a coisa errada, e ainda assim, sem saber quando vão receber uma reação negativa ou ser considerados" seres estranhos".

Muitos deles se esforçam em administrar um enorme conjunto de regras relativas ao comportamento em cada situação, e consultam de minuto a minuto uma espécie de tabela mental, buscando o que dizer e o que fazer. É como se tentassem escrever um manual de interação social baseado em regras de causa e efeito, ou como se quisessem sistematizar o comportamento social, quando a abordagem natural à socialização deve ser através da empatia.

Imaginem um livro bem grosso de etiqueta sobre como agir em jantares,...mas escrito em detalhes, para cobrir todas as eventualidades do discurso social.

Claro que é impossível aprender tudo, e embora alguns desses indivíduos brilhantemente quase consigam, acabam fisicamente exaustos. Quando chegam em casa depois do trabalho, onde fingiram interagir normalmente com os colegas, a última coisa que querem é socializar. Só pensam em fechar a porta do mundo e dizer as palavras ou praticar as ações que tiveram de reprimir o dia todo.

Gostariam que os outros dissessem o que pensam e que eles pudessem fazer o mesmo; não entendem porque não podem.

É difícil para eles compreender como uma palavra sincera pode ofender ou causar problemas sociais."...

POEMA EM LINHA RETA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)


Publicações do blog (arquivo):