"...é concebível que acabemos descobrindo mais e não menos mulheres autistas, assim que examinarmos melhor; talvez a célebre vantagem feminina na linguagem e inteligência social proteja algumas mulheres, nascidas com a herança genética do autismo, excluindo-as da categoria diagnosticável de "autismo de alto funcionamento" e incluindo-as na forma disfarçada e não manifesta do distúrbio.(...)" (John J. Ratey e Catherine Johnson, no livro "Síndromes Silenciosas", p.235 Ed. Objetiva)
"A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana dos quais só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois". (Arthur da Távola)

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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Justificando....

Depois que eu publiquei o último relato, imaginei que surgiria alguma polêmica a respeito do meu comentário sobre a falta de expressão verbal da minha filha.

Entendo e respeito que algumas pessoas não concordem, mas por mais contraditório que seja eu tenho uma comunicação muito boa com a minha filha e estimulo e traduzo a comunicação com ela, e me preocupo muito em interagirmos, o método "son rise" é usado e temos muitos resultados positivos.

Mas não posso esconder que vejo que ela se complica muito menos por falar pouco, pois quando a nossa ansiedade é muito alta e falamos compulsivamente, isso é bem complicado.

Muito obrigada pela opinião de todos!!

Estou me justificando pois achei que devia um esclarecimento, mas não estou aborrecida, adoro todo o contato que eu tenho através deste blog!!

Confiram no blog da Anna o registro da festa junina, ela está linda!!

Beijão!!

3 comentários:

  1. Comunicação não é só fala. Seja linguagem verbal, sinais, cartões (PECS) como meu filho utiliza...tudo é comunicação, um simples olhar, um sorriso ou um abraço, as vezes dizem muito mais do que palavras =D

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  2. A única polêmica foi eu mas não foi o meu intuito. Tennho muitas características de autismo e uma delas e falar tudo que penso e sou bem 8 ou 80 ou eu falaria o que eu achava no post anterior ou nem comentaria nada. E sabe por que eu comentei? Simplente porque gosto de vc e sei que vc gosta dessa interação no seu blog. Falei o meu ponto de vista pensando na sua filha, porque tenho um carinho muito especial por todas as pessoas (não importa a idade) que estão autistas. E acredito que elas ESTÃO e não SÃO e por isso eu disse a questão dos estímulos.
    Como disse a Simone, comunicação é MUITO mais do que palavras mas é muito importante que a criança aprenda a comunicar de TODAS as maneiras por mais que ela venha ter problemas com suas falas através de pensamentos concretos. Você tem que pensar que VOCÊ se comunica com ela de mil maneiras e a entende mas vc não é eterna.

    Gostei de saber que vc pratica son rise, acho esse programa fantástico. Por mais que vc entenda a sua filha, não faça pra ela tudo o que ela pede, finja algumas vezes que vc não está entendendo, assim ela sai da zona de conforto e vai ter que usar outras maneiras de se comunicar. É difícil dizer não pros filhos, fingir que não entende, etc mas quando amamos sabemos o quanto é importante. Quando ela quiser comer ou beber algo, leve o copo ou mamadeira vazia ou o prato vazio... ou esqueça o talher e etc... isso vai fazer com que ela peça ou fique brava... estimule de todas as maneiras que vc pensar... E faça a dieta!

    Beijos!

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  3. Olá querida Karla!
    Desculpa mais uma vez.
    A justificativa não foi só pelo seu comentário, várias pessoas não gostaram do que eu escrevi, não foi só vc! Eu tenho plena consciência de que não sou eterna, e me preocupo muito em aprimorar a comunicação da Anna com o mundo, pois eu sinto na minha alma o que é não saber me comunicar.
    Beijo no seu coração e fica com Deus!!
    Você faz parte deste blog!! Espero ter sua presença aqui sempre!!!!
    Sua amiga Grace!!

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Autismo de alto funcionamento:

"Eu gostaria de acentuar que chamar este transtorno de autismo de alto funcionamento, é inadequado porque o termo sugere que o autismo é de alto funcionamento, que o autismo é leve, quando na verdade o que você está querendo é denominar uma pessoa de alto funcionamento com autismo.

Então, essa pessoa pode ter um bom QI ou uma boa compreensão verbal ou uma boa expressão verbal, mas seu autismo é normalmente tão grave quanto o de uma pessoa descrita com autismo de baixo funcionamento.

Então, por favor: usem alto funcionamento para a pessoa, não para o autismo, de maneira a permitir uma compreensão mais profunda de quão grave o autismo pode ser, mesmo para alguém com Síndrome de Asperger..."

(Dr. Christopher Gillberg, em out/2005 no auditório do InCor em SP)

Dr. Simon Baron-Cohen, diz no seu livro "Diferença essencial: a verdade sobre o cérebro de homens e mulheres.":

"...Dirijo uma clínica em Cambridge para adultos com suspeita de serem portadores da síndome de Asperger. Esses indivíduos não tiveram os problemas detectados na família nem na escola enquanto ainda eram crianças.

Assim, atravessaram a infância e a adolescência aos trancos e barrancos, e chegaram à idade adulta acumulando dificuldades, até serem encaminhados à nossa clínica, desesperados pela falta de integração, por se sentirem diferentes.

Na maioria dos casos, esses paciente sofrem também de depressão clínica, já que não encontram um ambiente, em termos de trabalho e de companheiro(a), que os aceite em sua diferença. Querem ser eles mesmos, mas são forçados a "vestir" um personagem, tentando desesperadamente não ofender, dizendo ou fazendo a coisa errada, e ainda assim, sem saber quando vão receber uma reação negativa ou ser considerados" seres estranhos".

Muitos deles se esforçam em administrar um enorme conjunto de regras relativas ao comportamento em cada situação, e consultam de minuto a minuto uma espécie de tabela mental, buscando o que dizer e o que fazer. É como se tentassem escrever um manual de interação social baseado em regras de causa e efeito, ou como se quisessem sistematizar o comportamento social, quando a abordagem natural à socialização deve ser através da empatia.

Imaginem um livro bem grosso de etiqueta sobre como agir em jantares,...mas escrito em detalhes, para cobrir todas as eventualidades do discurso social.

Claro que é impossível aprender tudo, e embora alguns desses indivíduos brilhantemente quase consigam, acabam fisicamente exaustos. Quando chegam em casa depois do trabalho, onde fingiram interagir normalmente com os colegas, a última coisa que querem é socializar. Só pensam em fechar a porta do mundo e dizer as palavras ou praticar as ações que tiveram de reprimir o dia todo.

Gostariam que os outros dissessem o que pensam e que eles pudessem fazer o mesmo; não entendem porque não podem.

É difícil para eles compreender como uma palavra sincera pode ofender ou causar problemas sociais."...

POEMA EM LINHA RETA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)


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